A BR-116, conhecida também como Régis Bitencourt, tem no total 4385 quilômetros e conta o Brasil desde a cidade de Fortaleza (CE) até a cidade de Jaguarão (RS) na divisa com o Uruguai.
Uma das maiores estradas do país
No ranking nacional ela aparece em quarto entre as mais perigosas, e os trechos entre Curitiba / São Paulo e São Paulo / Rio de Janeiro são onde acontecem boa parte dos acidentes mais graves, nos quais o número de mortos costuma ser alto.
Dia desses soube de um acidente nessa estrada, no km 510 sentido norte (saindo de Curitiba em direção a São Paulo) que me deixou inquieto. (PS: As fotos do post são reais, tiradas pela namorada do motorista no local do acidente)
Um Celta viajava tranquilamente quando em um trecho com obras, em que pista foi reduzida a apenas uma faixa, seu motorista avistou ao longe uma carreta que se aproximava bem mais rápido que ele.
Imagine o pavor.
A colisão foi inevitável, o giro, desesperador. No fim sobraram os restos de um Chevrolet no canto da estrada e a sombra de uma Scania desaparecendo na curva.
Olha o estado que o carro ficou
Hora de descer do carro, ver se está tudo bem com os ocupantes (o motorista e sua namorada) avaliar as condições do veículo, ligar pra mãe, avisar sobre a ocorrência, etc…
Perrengue 01.- Celulares com pouca bateria e quase 0 de sinal.
-Estamos numa serra, difícilmente teria sinal aqui, vou subir um pouco mais e tentar lá de cima. Pensou nosso bravo motorista. 150 metros acima o celular só veio a funcionar ao lado de uma velha coluna de metal. Ligou para o amigo, para a mãe da namorada e PUFT! as baterias arriaram.
Enquanto falava ao telefone ele avistou uma viatura da Polícia Rodoviária Federal, e respirou um pouco mais aliviado.
Não sobrou muito do carro…
Quando retornou ao local dos destroços, sentou-se na viatura e começou o preenchimento do Boletim de Ocorrência. Nisso o policial diz que a mesma carreta (uma Scania/R124 LA6X2NA 420 carregada de batatas com mais de 80 toneladas) havia se envolvido em outro acidente 500 metros depois.
Boletim de ocorrência preenchido, guincho preparando o carro (guincho da estrada, não do seguro, isso é importante salientar) e foram para o posto mais próximo (10 km) aguardar a chegada do guincho do seguro.
Horas de terror se seguiram a partir desse momento…
Os guincheiros da BR se utilizam em grande maioria de caminhões velhos que transportam os veículos levantando a parte dianteira ou traseira, e mantendo as outras rodas no chão. Está aí a raiz do problema, na batida, a suspenção dianteira foi destruída e a traseira ficou bem torta, assim a roda direita estava encostada na lata pelo lado de dentro, e assim que o guincho começou a remoção uma fumaça branca saiu da roda. Era o duto que leva combustível ao tanque sendo derretido pelo atrito com o pneu. Álcool começou a pingar e o risco de incêndio era grande.
-Pára essa porra! gritou a namorada, já desesperada com medo de incêncio ou explosão.
Suspensão traseira destruída
Perrengue 02.- Pneu derreteu o duto do tanque, era arriscado demais fazer a remoção até o posto sem parar.
Foram seguindo devagar, e 1 km depois pararam. Nesse momento começou a anoitecer, e quem conhece a região sabe que não há iluminação pública. Tentaram entortar a roda para o outro lado em vão, o eixo do celta é duro demais pra isso.
Tomaram coragem e foram, junto ao ajudante do guincheiro, a pé, atrás do carro, um com o extintor de incêndio na mão e o outro com o triângulo de sinalização para evitar uma nova tragédia. 1 km depois pararam de novo, agora na entrada de uma estrada de terra.
A esta altura já não se enchegava nada além dos pisca-alertas tanto do celta quanto do guincho.
E o desespero começou a tomar conta.
Não tente isso em casa
Celulares descarregados, o guincheiro começou uma tortura mental digna de Jigsaw em Jogos Mortais. Seu celular era o único com créditos, bateria e um resquício de sinal, e o mesmo se negava a ligar para o “patrão” pedindo que este mandasse um guincho de plataforma, alegando que isso era impossível.
Longos 90 minutos até a namorada ter um surto de raiva dizendo que iria embora daquele lugar esquecido por Deus a pé mesmo, no meio da escuridão.
Desceram o carro, e o ajudante do guincheiro ficou tomando conta, sozinho. No guincho estavam o casal e o guincheiro que costurava em alta velocidade rumo ao posto.
Chegando no posto começou a negociação com o gerente do posto, para a que fosse passado o cartão de crédito no caixa do posto e com o guincheiro que só queria saber do próprio bolso e finalmente cedeu em chamar um guincho de plataforma para buscar o carro.
Quando o casal, em berros com a mãe da namorada pelo telefone, avistou na entrada do posto a viatura do policial que os socorrera anteriormente e o carro do amigo, sentiram-se tão aliviados e salvos que puderam relaxar um pouco. A namorada saiu correndo como uma criança que vê o pai ao longe depois de um grande período.
Parece uma bola de papel amassada
Minutos depois chegam o guincho de plataforma com os restos do carro e o guincho da seguradora, juntos. O final dessa epopéia se resumiu a pagar os guincheiros, trocar o carro de plataforma e voltar para casa com mais uma história pra contar.
Um detalhe importante: Isso tudo aconteceu comigo e minha namorada neste último domingo, dia 13/04/2008.
Entramos em contato com a transportadora, dona da carreta, e descobrimos que esse mesmo motorista se envolveu em mais um acidente na entrada de São Paulo, e que era reincidente. Com certeza a grande culpada nisso tudo é a empresa que permite que um motorista como este continue trafegando pelas estradas arriscando a vida de todos os motoristas que o cercam.
Um grande MUITO OBRIGADO ao policial rodoviário Edson Garcia Guedes, sem ele nós estaríamos em um mato sem cachorro!
E um OBRIGADO MAIOR ainda ao Zé e a Dani, que se deslocaram mais de 300km só pra buscar essa dupla que se mete em altas confusões!
E VALEU PATTY! com certeza se estivesse sozinho, teria me ferrado de verde e amarelo! Como você pediu, olha a música aí: (essa música representa muito pra ela, por isso coloquei aqui)
“Tudo que eu quiser, O cara lá de cima vai me dar, Me dar toda coragem que puder, que não me faltem FORÇAS para lutar”








